E FOI A COPA DAS COPAS !!! Ao menos dentro de campo... já fora...
E eu vou falar nesse post do assunto mais manjado de junho até a semana passada, a Copa do Mundo de 2014 realizada no nosso Brasil-sil-sil e as muitas coisas boas e ruins que ocorreram, as polemicas...
Vamos começar pelo começo, em 2003 a Fifa anuncia que a Copa de 2014 será realizada na América do Sul, Brasil, Argentina e Colômbia (que era sede de 1986, mas por problemas políticos a Fifa trocou a sede para o México em 1983). Em março de 2006 Argentina e Colômbia retiraram suas candidaturas o que obviamente qualificava apenas o Brasil como sede, o anúncio oficial foi feito em julho de 2006. Me lembro que na época em uma mesa de bar com meu irmão e uns amigos ao comentarmos o fato fui um dos únicos contra, falei o que sempre falei por 8 anos, vai ser gasto um caminhão de dinheiro pra realizar um evento esportivo, podíamos empregar esse mesmo caminhão de dinheiro em coisas que realmente precisamos, como uma malha ferroviária, modernização dos meios de comunicação e obras de infra estrutura no norte e nordeste. Enquanto ninguém nem imaginava ou planejava protestos eu já fazia os meus.

Nenhuma pessoa deu bola ao fato de o orçamento inicial da Copa ser de 15 Bilhões de reais, na verdade, creio que a maioria das pessoas foi perceber que haveria Copa em 2013 pouco antes da Copa das Confederações. É... nosso povo é meio devagar...
Bom, vieram os anúncios dos estádios e quando decidiram por 12 sedes, isso mesmo, 12 sedes !!! citando Lula, nunca, na história da Fifa uma Copa teve tantas sedes, o normal, são 8 sedes, uma por grupo da primeira fase, mas como nossos políticos são eficientes para galgar "investimentos", escolheram 12 sedes, e o pior era ver cidades como Florianópolis serem deixadas de lado para termos jogos em Cuiabá e Manaus e estádios caríssimos construídos a custa do contribuinte pois a iniciativa privada não colocou a mão no bolso, tudo bancado pelo BNDES, que beleeeeeezaaaaa, com exceção do estádio do Internacional-RS, o Beira-Rio. Houve a polêmica na escolha do estádio em São Paulo, a maior parte das pessoas ficou indignada, mas a verdade é que o Morumbi que apresentava um projeto financiado pela iniciativa privada orçado em 80 milhões de dinheiros era apenas uma mão de tinta, mas, aí a Fifa mostrou as exigências e o valor pra reforma pulava para 500 milhões miraculosamente... o que se viu depois foi o nosso governo preferindo construir um novo estádio em sociedade com a Odebrecht do que reformar um estádio que já havia sido pago pelo bolso do contribuinte, isso mesmo tricolores, o Morumbi foi construído pela ditadura, assim como a Vila Belmiro tem dinheiro da prefeitura de Santos e o único estádio da cidade de São Paulo em que o governo não colocou a mão no bolso foi o do Palmeiras.
Veio a escolha do mascote e a Fifa conseguiu criar um personagem totalmente insosso e que não se relacionou com os torcedores, Fuleco, o tatu-bola. A idéia é boa, mas eu usaria mais como a bola da Copa e utilizaria um personagem que pra mim é muito mais marcante, o Pelézinho da turma da Mônica ou então o Menino Maluquinho do Ziraldo, mas enfim, são os gênios publicitários da Fifa, afinal de contas de quantos mascotes de Copa você se lembra ? Vou ser honesto e dizer que não me lembro de absolutamente nenhum, ouso dizer que até em algumas edições não houveram...
Veio o evento teste, a Copa das Confederações e com a competição os protestos. Fiquei muito feliz naquela época, realmente muito feliz, sabia que era tarde demais pra protestos ou para o gigante acordar, mas foi bom enquanto durou e isso foi exatamente até a final da competição que o Brasil venceu a Espanha por 3 a 0. Isso mesmo, uma vez que conquistamos o "importante" título de campeão da Copa das Confederações os protestos silenciaram e o chavão da vez que era - Não vai ter Copa - foi esquecido... típico...
Um ano se passou, muitas polêmicas, estádios entregues as pressas, apenas 20% das obras de infra estruturas foram concluídas a tempo e o dia 12 de junho havia chegado. Era a abertura da Copa do Mundo, e o que os organizadores nos presentearam foi um dos espetáculos mais bizarros e deprimentes que já vi. Foram gastos 22 bilhões de reais e parece que separaram mil conto pra fazer a parada. Parecia festa de criança, aliás, era pior. Das inúmeras sandices que representavam nosso país haviam o que pareciam ser pinhais com vitória régias e uma bola cinza no meio de tudo. Como a Fifa não paga aos dançarinos e bailarinos para se apresentarem o número minguadíssimo de pessoas deixavam o "espetáculo" mais deprimente. Com as fantásticas aberturas de Jogos Olímpicos, apresentações durante o Superbowl a Fifa pega a maior competição do planeta e nos oferece "aquilo". O pior foram as pessoas que defenderam dizendo que as aberturas das Copas de 2006 e 2010 também foram horríveis, para responder tamanha ignorância apelo pra algo que minha mãe me respondia quando eu utilizava o mesmo argumento - se uma pessoa se joga de uma ponte, você vai fazer o mesmo ? - a abertura foi terrível e ponto.
 |
| Deprimente |
Fora de campo nos transformamos, o Brasil já é conhecido por ter um povo alegre e receptivo, apesar de nossas muitas ignorâncias recebemos os gringos muito melhor do esperávamos e de acordo com pesquisa realizada pela Embratur 92% dos visitantes irão retornar pra nos visitar o que é bem legal. Mas dentro de campo o Brasil deu um vexame digno daqueles caras bêbados de festa que passam por várias fases durante a noite e acabam de forma deprimente sentados no sofá, dormindo, sendo vítimas das brincadeiras de todos...
Como falei acima, foi a Copa das copas dentro de campo, goleadas, vitórias impensáveis, jogaços... tive o prazer de conseguir acompanhar todos os jogos (coitada da Laura) e pude testemunhar o bom futebol e o nível de disputa apresentado. Infelizmente o Brasil ainda estava comemorando os 3 a 0 contra a Espanha e o nosso "futebol" foi uma das coisas mais vergonhosas que já vi.
Começamos contra a Croácia, o nervosismo em uma estréia é uma coisa normal, mas tem que ser superado para se conseguir um bom resultado, o nosso time já sentia a pressão de ser anfitrião no hino á capela cantado pela torcida e os jogadores chorando copiosamente, é legal isso, não me entendam mal, mas tem que haver um controle emocional, esses caras são profissionais antes de tudo... enfim, o jogo começou e a Croácia tinha entrado em campo pra mostrar que não sentiu a pressão e atestou isso ao abrir o placar em contra ataque em gol contra de Marcelo. O Brasil não tinha organização, não criava jogadas, não tocava a bola, todos estavam desesperados pois aquele não era o começo imaginado, em lance isolado após uma roubada de bola no meio campo passam pra Neymar que chuta colocado no canto do goleiro pra empatar no fim do primeiro tempo. Vem o segundo tempo e o Brasil foi pra cima, novamente sofria por que o time da Croácia apesar de não ser tecnicamente um adversário a altura, tinha disposição e aplicação tática, o jogo ia parelho até o momento que Fred se joga ao chão dentro da área e o juiz marca penalti. Triste o que acontece, jogadores crentes levantam as mãos aos céus agradecendo a Deus, torcida comemora e o Brasil por falta de capacidade técnica e tática vira o jogo com a ajuda do juiz. Eu me senti enojado, sinceramente. Pra mim era a vitória do "jeitinho brasileiro" sobre a capacidade e a competência. Ainda veio um terceiro gol tão irregular quanto o anterior, Ramires dá uma voadora em Modric, a bola sobra pra Oscar que ajeita e chuta com habilidade. A tv espertamente passa o replay sem a voadora de Ramires, e o Brasil vence a abertura imerecidamente. O preço seria caro a pagar como veríamos mais tarde.
 |
| Fred "pisa na bola" |
Depois veio o México, grande jogo, e sem a ajuda do juiz ficou claro que não tínhamos forças pra vencer esse campeonato. Novamente não tínhamos armação de jogadas, toque de bola, estratégias ou tática, era bico pro Neymar ou cruzar a bola na área. Em mesas redondas e redes sociais disfarçamos o resultado glorificando ao grande goleiro adversário, Memo Ochoa, mas a verdade era que enquanto Alemanha goleava Portugal por 4 a 0 e a Holanda goleava os campeões do mundo e bicampeões da Europa a Espanha por 5 a 1, sofríamos para passar por adversários bem menos capazes.
Chega o último jogo da primeira fase contra o saco de pancadas do grupo o time de Camarões. Já era pro nervosismo ter passado, mas a cada execução do hino nacional a choradeira corria solta. A seleção africana que já havia levado 4 contra a Croácia e se o juiz não tivesse influenciado também teria levado 4 do México começa fechada pra tentar não levar outra lapada. Porém, como a seleção canarinho não apresentava nada, nem tocar a bola e faze-la rodar o campo conseguia, tivemos que ver a única jogada do Brasil na copa, bico pro Neymar que ou arranja um escanteio ou se joga no chão e arruma uma falta. Camarões começa a gostar do jogo e numa vacilada na saída de bola Luiz Gustavo rouba e toca pra Neymar abrir o placar. Camarões empata em jogada de linha de fundo e o Brasil tremia de novo após conseguir ser o único time a sofrer um gol da seleção africana. O segundo gol vem ainda no primeiro tempo em bola roubada no meio na saída de bola do adversário, toque pro Neymar que faz belo gol. Vem o segundo tempo e nada de jogo, o que se via era o mesmo de outrora, bico pro Neymar brigar lá na frente. De novo em bola roubada na esquerda a bola é cruzada na área e Fred totalmente impedido amplia meio de barriga, meio de virilha e novamente éramos ajudados pela arbitragem.

Fernandinho compeltou o placar de 4 a 1 em mais uma bola roubada na saída do adversário. Você consegue ver um padrão ? Essa era a grande jogada da seleção. O Brasil não jogava bem, aliás, apesar de muitos "especialistas" dizerem que houveram bons momentos eu digo que em nenhum momento nessa copa jogamos bem.
Mesmo com um futebol deficitário o Brasil se classifica em primeiro e os gols anulados do México contra Camarões fazem efeito uma vez que se validados o México ficaria em primeiro e nós em segundo e já teríamos encarar os carrascos holandeses. Nas oitavas saímos contra a seleção do Chile que apresentava um futebol bonito. Abrimos o placar em lance totalmente involuntário, cobrança de escanteio o goleiro chileno falha e a bola encontra a coxa de David Luiz, um a zero Brasil. Nossa "tática" de roubada de bolas não funciona e o bicão pro Neymar também não uma vez que o Chile toca bem a bola e cria chances de perigo pra nossa defesa. Em mais uma bobeada de Marcelo, apesar de muitos terem culpado o Hulk no lance uma vez que ele recua a bola, é Marcelo quem tira o pé do lance, Alexis Sanchez com habilidade faz justiça e empata o jogo. Daí pra frente o jogo foi isso, o Chile tocava tentando encontrar espaços e o Brasil se defendia como time pequeno. O Mineirão se calou por completo no final da prorrogação quando Pinilla meteu a terceira e última bola na trave chilena. Chegávamos aos penaltis sem merecer. A um tempo atrás eu pensava que penaltis eram competência, treinamento, concentração, até o dia que vi em uma final um cara que jamais havia perdido um penalti na carreira escorregar e cair de bunda no chão... daí em diante entendi por que disputa de penaltis é sorte... e o que aconteceu conosco foi isso... vencemos nos penaltis... vencemos por sorte... jogamos pessimamente e vencemos por sorte... me pego pensando que seria mais bonito e honroso ter perdido ali...
Vem as quartas e o jogo contra a Colômbia que vinha voando na competição, tinha o melhor ataque, o artilheiro James Rodríguez e o líder em assistências Cuadrado. Para enfrentar um time que vinha voando Scolari apelou pra o que sempre fez, mandou o time bater. Esse é um dos motivos pelos quais sempre odiei Felipão, ele é o símbolo maior do anti-futebol. Como 98% de nossa pátria não tem memória ninguém se lembra do jogo mais violento da história das copas em 2006 quando Holanda e Portugal se enfrentaram com 12 cartões amarelos e 4 jogadores expulsos no total. O Brasil jogava de forma parecida e chegou as quartas como o time mais violento da copa que mais tinha tomado cartões amarelos e havia cometido mais faltas e o time que menos dava passes. Alguns como Scolari podem dizer que a falta é um recurso do jogo, eu digo que é uma infração, na verdade é chamado assim pelo livro de regras, infração ao jogo. Tínhamos esquecido nossas raízes em nome da vitória a qualquer custo. Novamente a "tática" do bico pro Neymar lá na frente arrumar uma falta ou escanteio se apresentava, enquanto a Colômbia fazia como o Chile, tocava a bola. Em dez minutos de jogo o Brasil havia cometido 5 faltas no craque James, uma mais violenta que a outra, com a "esperteza" de revezar o jogador que ia lá e batia. Triste. E pensar que antes nós é que sofríamos com isso, parece que tínhamos aprendido o pior do futebol. O Brasil fez um a zero em mais um lance sem querer em cobrança de escanteio a bola encontra a canela de Thiago Silva, o primeiro tempo segue a toada da pancada no adversário e bico pro Neymar.
Vem o segundo tempo e a Colômbia domina o jogo, então vem o lance capital que decidiu a partida. Bola na área e Yepes que estava em posição legal empata o jogo, pra quem ainda quer discutir tem um vídeo bem explicativo -
https://www.youtube.com/watch?v=kzU0rGuLa1U.

O juiz espanhol que se absteve de ser justo na distribuição de cartões a nossa seleção permitindo a violência no jogo agora decidia a partida anulando equivocadamente o gol. No lance seguinte, Hulk sofre falta na intermediária e David Luiz cobra com categoria pra fazer um golaço. Como aconteceu na estréia contra a Croácia, fica a pergunta, o resultado seria o mesmo sem a influencia do juiz ? Provavelmente não. Mesmo assim Los Cafeteros foram adversários formidáveis, eles pressionaram e um penalti foi marcado, novamente o juiz falha ao não expulsar Julio Cesar. A Colômbia diminui e nos instantes finais de jogo acontece o que eu pessoalmente chamei de karma. Neymar que passou a copa toda se jogando ao chão sem nem sequer ser tocado recebe uma pancada acidental e se machuca seriamente. O lance foi tão usual e comum que nem falta o juiz que parcialmente favorecia ao Brasil anotou. O jogo acaba de forma melancólica. Pros brasileiros uma vitória gloriosa, pro resto do planeta uma vitória desonrosa. A grande polemica da contusão de Neymar mostra como estamos despreparados pra lidar com esse tipo de situação. Mensagens absurdas pedindo o encerramento da carreira e o banimento do jogador se espalham pelas redes sociais, pior, alguns se superam na arte da ignorância e ameaçam a vida e a família do jogador colombiano. E tudo mais que vem é vergonhoso e expõe o nível de ignorância da maioria de nossa população.
Vem as semis e o karma brasileiro se apresenta de vez, aliás, ele se apresenta sete vezes. Fica claro ao observar os quatro times classificados que a seleção canarinho destoa dos outros competidores, está muito abaixo. A ficha caiu pra mim já no primeiro jogo. Infelizmente, pro resto do país só caiu aí. A Alemanha atropelou o Brasil que não merecia estar nas semis, são cinco gols no primeiro tempo fora o show de bola. No segundo tempo o time alemão claramente tira o pé e ainda assim faz mais dois. Humilhação, vergonha, essas foram algumas frases ditas pelos torcedores. Pra mim uma só me veio a cabeça. Merecimento. Merecíamos apanhar daquele jeito, não jogamos bem em nenhum momento da copa, não apresentamos futebol, ou nada parecido com futebol, não merecíamos ter ficado em primeiro em nosso grupo, não merecíamos ter passado pelo Chile e muito menos pela Colômbia. Felizmente agora a verdade estava exposta na cara de todos pra ser vista. Aliás, sete vezes vista, não merecíamos chegar as semis, não tínhamos futebol pra isso. O que nós merecíamos era aquela humilhação. 7 a 1 pra Alemanha, fora a aula de toque de bola, tática, estratégia e bom futebol.
Felipão e sua corja diziam que houve um apagão. E houve mesmo, mas ele começou quando demos a volta olímpica com a taça da Copa das Confederações em mãos. Veio a decisão de terceiro lugar contra a Holanda que também sofreu seu karma após eliminar o México com um penalti cavado por Robben que vou ser sincero, no momento que aconteceu pareceu penalti e na verdade ninguém ia saber que foi cavado se Robben não confessasse após a partida, arrependidos e envergonhados ele e a seleção holandesa pediram a Fifa que a prorrogação fosse jogada uma vez que o jogo estava um a um. Igualzinho ao Fred e ao Scolari no Brasil após vencer a Croácia e a Colômbia com ajuda da arbitragem, só que não.
Veio a Holanda e tomamos mais 3 e para completar a lição foi com um penalti em que a falta foi cometida fora da área, e com um gol irregular com um jogador impedido. Mais karma que isso impossível. Eu chamo de karma, mas pode chamar do que quiser, tudo que vai volta ou qualquer outra coisa, a verdade é que a justiça se apresentou muito bem e não houve jeitinho que nos ajudasse. Terminávamos a copa das copas, por que em campo ela foi fantástica com alguns dos melhores jogos que vi nos últimos anos da forma mais vergonhosa e deprimente possível, com o time mais faltoso, que mais tomou cartões amarelos e que mais sofreu gols.
Ainda teve gente que ousou tirar sarro dos hermanos que perderam honrosamente a final pra Alemanha num jogaço de bola digno do Maracanã. Eles foram vice, nós o saco de pancadas das semis.
Espero que isso sirva de lição para os pachecos e ufanistas de plantão, espero que as pessoas se recordem disso pelo que foi, justiça, que vencer a qualquer custo tem um preço, um preço amargo, que não é bom pagar.
Isso foi a copa pra mim, uma lição rara de que tudo que vai volta, de que existe sim, justiça no esporte e também na vida... que possamos fazer boas escolhas, e que a glorificação do jeitinho e da malandragem tenha fim e que possamos começar uma nova era não só no futebol mas em nosso país, a era do esforço, da competência, da humildade, do planejamento e do merecimento... e de que a justiça tarda, mas não falha.