domingo, 31 de janeiro de 2016

DC VS MARVEL !!! Por que DC não para de levar pancada...

Muito bem ladies and gentlemen...



Vamos nerdear um pouco, tá muito esportivo esse blog, hoje vou comentar sobre a maior rivalidade dos quadrinhos, a guerra entre Marvel e DC.

Sim, esse pega já aconteceu em um especial nos anos 90... adivinha quem ganhou ??

Na verdade pra ser honesto eu não chamaria de guerra e sim de surra da Marvel sobre a DC.  Calma que não sou Marvete gente, pelo contrário, sou DCnauta, minha primeira revista em quadrinhos foi uma do Super-Homem (sim, por que na época que eu comecei a ler hq’s ainda traduziam os nomes dos personagens) em formatinho publicado pela Editora Abril que ganhei de meu primo Franklin (aka Frank the Tank) e desde então jamais parei de ler quadrinhos.

Hoje é tudo muito mais fácil, graças ao sucesso dos filmes da Marvel e também graças a série Big Bang Theory que permitiu que os nerds não fossem considerados tão freaks assim.

Aliás falando da Marvel, filmes e sucesso, toda essa onda geek (que pra mim é um nome cool pra nerd) começou pra mim com dois filmes – Matrix e X-Men.

Matrix foi um dos primeiros filmes que conseguiu transformar o nerd hacker em herói com uma explicação bastante plausível. Depois em 2000 Bryan Singer nos presenteou com o primeiro filme X-Men fazendo personagens de hq se “encaixarem” na vida real, usando o mundo em que vivemos como cenário de fundo.

A receita era básica, boa direção, bom roteiro, bons atores... o resultado pode parecer óbvio – bons filmes.

E com o sucesso dos filmes veio a popularização dos personagens e é claro isso se refletiu nos quadrinhos em uma fase que o editor da Marvel na época Joe Quesada soube aproveitar muito bem.

Aproveitando essa mesma onda a Sony, estúdio que detinha os direitos de cinema de inúmeros personagens da Marvel lançou em 2002 um dos maiores sucessos do cinema em se tratando de personagens de hq’s, Spiderman. Com uma bilheteria de quase 1 bilhão de dólares, o sucesso desse filme fez os olhos de todos os executivos de grandes estúdios saltarem. Claro que com novos espectadores vieram novos leitores e junto com isso veio o universo Ultimate da Marvel, uma jogada de craque de Joe Quesada.

Enquanto isso a DC tentava reagir com Do Inferno que apesar de interessante, não trazia um personagem do eixo central da editora. A DC só reagiu em 2005 com Batman Begins que trazia uma receita que seria a regra básica da Marvel Studios alcançar seu sucesso – bom diretor + bons atores + bom roteiro = sucesso.

Era um mercado totalmente inexplorado e os executivos de cinema começaram a estripa-lo com fúria.  E com isso nasceram aberrações como os filmes do Quarteto Fantástico, o Demolidor (urgh !!!), A Liga Extraordinária (pessoalmente não incluo o Hulk do Ang Lee por que honestamente eu curti assim como o primeiro Ghost Rider) e quase que tudo foi por água abaixo com Spiderman 3 e Peter Parker gótico.

A DC tentava emplacar outros filmes que não fossem do homem morcego, mas Superman Returns e Watchmen foram fracassos retumbantes nos cinemas, V de Vingança apesar de ser um filme excelente ficou perdido entre os paus homéricos da Marvel sobre a DC.

Pessoal da Marvel preocupados com Batfleck vs Superman
Até que a Marvel assumiu o comando de suas produções nomeando um executivo que entendia de hq’s – Kevin Feige – e isso mudou tudo !!! Com a receita em mãos, a Marvel Studios lançou de forma ousada o primeiro filme do Homem de Ferro em 2008 e o sucesso estrondoso de crítica e público foi o começo da Marvel como conhecemos hoje. A resposta da DC foi Batman 2 com atuações impecáveis e Oscar póstumo para Heath Ledger. O grande problema da DC é que parou por aí. E a Marvel não, lançou em seguida Incrível Hulk, que honestamente creio que foi o único erro deles até hoje. Depois veio a sequencia de Thor, Homem de Ferro 2 e Capitão América culminando com o espetacular filme dos Vingadores. O resto é história e o pau continua até hoje.

Pep talk entre Nolan e Snyder...


Nesse ano de 2016 a DC irá lançar Batman vs Superman, um filme que pra mim já nasce torto. Pra começar a receita não foi seguida. Zack Snyder não é um bom diretor. Nunca foi.  300 é regular, assim como todos os outros filmes dele. O Homem de Aço, filme que relançou com relativo sucesso o Superman ao mercado cinematográfico foi bom, nada mais que isso em minha opinião e pra ser sincero só não caiu pra regular por que havia o Christopher Nolan como produtor. Sem ele o destino ao manche dessa empreitada a tendencia é  as coisas não serem boas. 

Affleck vs Bale
Além disso existe a sombra do morcego de Christian Bale que imortalizou o personagem, Ben Affleck que nunca foi grande ator terá que ao menos se equiparar a Bale o que qualquer um sabe que é impossível e pelo que vi no trailer, Jesse Eisenberg deve roubar a cena como Lex Luthor, o que é o lógico uma vez que ao lado de Amy Adams e Lawrence Fishburn são os únicos com dotes artísticos no filme. Os prognósticos não são nada bons.

"Pijamão" ou armadura ? 

Quando o personagem mais legal é o Aquaman
o sinal de alerta tem que ser ligado

Voce pode falar – Mas tem a Mulher Maravilha !!! – cara, a atriz escolhida para o papel tem carisma zero como coadjuvante nos filmes Velozes e Furiosos que não primam por ser desafios de interpretação !!!, Imagina como protagonista de uma personagem icônica como a Mulher Maravilha. E o Esquadrão Suicida ? Também, o mesmo se aplica, o diretor é uma negação, você pega a filmografia de David Ayer os únicos filmes que eu paro pra assistir são Os Reis da Rua e só, mesmo o Corações em Fúria é bem fraco, soma-se a isso que um cara talentoso como Tom Hardy pula fora do filme, por mais que tenham falado que ele não conseguiu conciliar sua agenda, a verdade é que quando o filme é bom o cara se vira e consegue, depois disso, o substituto que encontraram pra ele, Jake Gyllenhall, outro cara talentosíssimo, nem aceita o convite, dizem que ele leu o roteiro e disse não. Um Coringa que também tem uma sombra enorme e oscarizada pairando sobre ele. E Will Smith como estrela principal, eu até gosto do Fresh Prince mas pra mim é um dos atores mais superestimados do cinema, aliás, assim como Ben Affleck. O mau presságio é gigante, apesar da empolgação inicial com os trailers.


O trailer e a idéia do Esquadrão Suicida apesar de "empolgante" lembra muito o de um herói da Marvel que também terá seu filme em 2016... consegue adivinhar qual ?? Começa com D e termina com pool...

Enquanto isso a Marvel bate recordes de bilheteria com heróis até mesmo de segundo escalão como os Guardiões do Universo e o Homem Formiga. Até mesmo personagens que são coadjuvantes recebem séries próprias como a Agente Carter e o Marvels Agents of Shield liderado pelo famoso agente Coulson. Isso sem falar no sucesso absolutos dos heróis da Netflix, Demolidor e Jessica Jones. O negócio tá tão bom que as segundas temporadas de ambos já está garantida e ainda irá sair Punho de Ferro, Luke Cage e recentemente já foi anunciada a série do Justiceiro. Tudo isso conectado com o Universo Cinematográfico, enquanto a DC tem Arrow e Flash que tem audiências boas, porém sem conexão com os filmes no cinema, que em pesquisa recente realizada por uma revista especializada deixa os fãs insatisfeitos.



E não é só isso !!! (estilo Polishop)

Se formos aos quadrinhos o pau continua firme e forte.

Mas esse é um assunto que irei deixar para o próximo post... sim a parte 2 vem aí, enquanto isso deixe seu comentário...



quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

O INFERNO DE DANTE DO FUTEBOL BRASILEIRO


O futebol se modernizou.

Esse é o novo lema, dito por 10 entre 10 comentaristas, empresários, dirigentes, jogadores e derivados a respeito de nosso futebol.

Estádios novos, cota milionária de TV, programas de sócio-torcedor, as palavras de ordem são planejamento, organização, manutenção, sustentabilidade, mas a verdade é que em 99% dos times é tudo parte de uma grande falácia.

A realidade é bem diferente da fantasia que a CBF e os clubes tenta em vão vender. A começar pelos campeonatos estaduais que hoje perderam completamente sua necessidade de existência, as federações estaduais sucateadas são utilizadas apenas como ferramenta política, e os clubes estão completamente falidos.

Dante e o infernal 7 x 1
O início dessa crise não é recente, na verdade tudo começou com a lei Pelé, que libertava os jogadores da "escravidão". Antes da lei Pelé, os atletas pertenciam aos clubes por intermédio do "passe", era o vínculo empregatício entre jogador e clube que só poderia ser encerrado por um dos lados - o clube. A lei Pelé que se baseou na europeia lei Bosman abria o precedente para que os atletas adquirissem a liberdade de escolher e de encerrar seus contratos, até aí tudo ótimo.

O grande problema é que nós vivemos no Brasil, e como a lei quando aprovada era repleta de falhas e buracos legais, advogados e empresários se aproveitaram da situação periclitante e fizeram a festa. O absurdo aconteceu, os salários inflacionaram exponencialmente e houveram casos de jogadores que trocavam de clube até 4 vezes no mesmo ano. Tudo em busca do melhor salário.

Com a competição entre empresários cada vez mais acirrada, os jogadores começaram cada vez mais cedo a deixarem seus clubes em busca de mais espaço para aparecer na "vitrine" do futebol.

Tá errado ?

Obviamente que não, todo profissional tem o direito de buscar o melhor para si. Porém, devido aos valores envolvidos e as complicadas negociações um limite/regra deveria ter sido imposto. Tentar imputar a culpa na lei Pelé é tapar o sol com a peneira uma vez que o buraco é muito mais embaixo.

Digo mais, os clubes não estavam preparados para isso. NENHUM clube. Sem EXCEÇÃO !!!

Os famosos clubes formadores que em sua grande maioria hoje tem as portas fechadas, a maioria dos jovens promissores sai das categorias de base direto para os times com mais visibilidade, e ainda alguns esses pools empresariais arrendam clubes menores e os utilizam de vitrine.

Não falo apenas dos clubes pequenos, pelo contrário, clubes com milhões de torcedores e com estádios e renda próprios, patrocínios milionários de camisa, mesmo assim também enfrentam dificuldade.

Como exemplo podemos citar o atual campeão brasileiro, o Corinthians.

Com dívida na casa dos R$ 200 milhões de reais, Vindo de 3 anos de uma administração irresponsável com o ex-presidente Mário Gobbi o time hoje paga muito caro pelos erros do passado recente, entre as mais famosos dos erros, a contratação de Alexandre Pato por 40 milhões de Dilmas, uma herança maldita para o presidente atual Roberto de Andrade.

Apesar de nos últimos anos a administração do clube ter apresentado sempre como diferencial uma tentativa honesta de planejamento, podemos ver com fatos recentes que passa muito longe disso.

Além da enorme dívida, um erro crasso provocou uma debandada na janela de transferências nesse início de ano. Ao colocar multas de rescisão irrisórias, o time viu 5 titulares deixarem o clube em menos de 15 dias e o fim não está próximo. Cássio, Renato Augusto, Jadson, Ralf e Vagner Love saíram a preço de banana, assim como a maioria dos jogadores de nosso futebol.

Para piorar a situação o time recebeu apenas migalhas nas negociações, já que a maioria desses jogadores pertencia a pools de empresário do meio futebolístico que investem e tem porcentagens dos atletas, em outras palavras, a lei Pelé passou a ser apenas uma adaptação do antigo passe.

Descendo mais um degrau, temos a mentalidade boleira e dos próprios empresários. Dos cinco citados apenas dois saíram para a Europa, porém apenas um, Vagner Love, foi negociado para um grande centro do futebol europeu - Monaco / Campeonato Frances - os demais foram negociados com clubes do futebol chines e Cassio foi para um time coadjuvante no futebol turco.

Convencidos por empresários em muitos casos inescrupulosos e com a eterna desculpa do "pézinho de meia" os jogadores tentam em vão se esconder da responsabilidade de suas escolhas.

Como exercício puramente matemático podemos pegar como exemplo os casos de Renato Augusto e Jádson. 

Renato e Jádson partem pra China em busca do "pézinho" de meia
Ambos recebiam como salários cerca de R$ 350 mil em média (sem contar bônus, luvas e patrocínios pessoais), os dois já haviam atuado no futebol europeu, Renato Augusto atuava pelo Bayer Leverkusen da Alemanha, sua média salarial era de 200 mil merkels por mês, Jadson que atuou pelo Shakhtar da Ucrânia recebia cerca de 150 mil euros mensais. Renato atuou por 4 temporadas no futebol alemão, isso significa que ele recebeu por lá cerca de 9 milhões de euros, trazendo os valores para a média de 3,00 reais por euro, ele acumulou em sua passagem na Europa cerca de 27 milhões de reais, soma-se a isso o rendimento médio no Corinthians por três temporadas que somam 12 milhões e chegamos a 39 milhões de reais.

Jadson, atuou pelo Shakhtar por 7 temporadas, com media salarial de 150 mil euros, ele recebeu por este período cerca de 12 milhões de euros que configuram pela nossa lógica 36 milhões de reais, somando a esse valor mais cerca de 12 milhões em sua recente passagem pelo Brasil entre São Paulo e Corinthians e chegamos ao montante aproximado de 48 milhões de dilmas.

Um belo "pézinho de meia" !

Você pode argumentar que meus cálculos não levam em conta os gastos e está certo, porém essa minha tentativa de racionalizar os "pés de meia" não se baseiam nos verdadeiros valores que creio que sejam maiores e as luvas e prêmios anuais e mensais também não foram incluídos.

Caso similar aconteceu no ano passado quando o Cruzeiro havia sido bicampeão e viu todos os seus jogadores abandonarem a barca.

O que isto significa de forma bem sucinta ?

Que o próprio jogador se desvaloriza em busca de algo que ele já tem, "iludido" pelos empresários da bola.

O resultado ?

7 X 1

A verdade é que a cadeia toda está contaminada, desde a federação até o produto final, o jogador e dá pra acrescentar em todo o processo a nossa mesquinha cultura de tentar se aproveitar de toda e qualquer situação e voilá.

Todos compartem da mesma culpa, e enquanto um passar a bola pro outro em busca de isenção, dificilmente a situação vai mudar.

Existe remédio ?

Sim, a verdadeira profissionalização com responsabilidade fiscal por parte de federações e clubes e a proibição de pools empresariais serem donos de jogadores, algo que é invenção exclusiva aqui da América do sul uma vez que a UEFA não permite nada parecido e o único caso similar a tal foi punido com a exclusão do time de todas as competições da qual participava – Twente/HOL.

É fazer sua parte como cidadão primeiro e torcer como amante do esporte bretão...

sábado, 19 de julho de 2014

E TEVE COPA !!!

E FOI A COPA DAS COPAS !!! Ao menos dentro de campo... já fora...

E eu vou falar nesse post do assunto mais manjado de junho até a semana passada, a Copa do Mundo de 2014 realizada no nosso Brasil-sil-sil e as muitas coisas boas e ruins que ocorreram, as polemicas...

Vamos começar pelo começo, em 2003 a Fifa anuncia que a Copa de 2014 será realizada na América do Sul, Brasil, Argentina e Colômbia (que era sede de 1986, mas por problemas políticos a Fifa trocou a sede para o México em 1983). Em março de 2006 Argentina e Colômbia retiraram suas candidaturas o que obviamente qualificava apenas o Brasil como sede, o anúncio oficial foi feito em julho de 2006. Me lembro que na época em uma mesa de bar com meu irmão e uns amigos ao comentarmos o fato fui um dos únicos contra, falei o que sempre falei por 8 anos, vai ser gasto um caminhão de dinheiro pra realizar um evento esportivo, podíamos empregar esse mesmo caminhão de dinheiro em coisas que realmente precisamos, como uma malha ferroviária, modernização dos meios de comunicação e obras de infra estrutura no norte e nordeste. Enquanto ninguém nem imaginava ou planejava protestos eu já fazia os meus.



Nenhuma pessoa deu bola ao fato de o orçamento inicial da Copa ser de 15 Bilhões de reais, na verdade, creio que a maioria das pessoas foi perceber que haveria Copa em 2013 pouco antes da Copa das Confederações. É... nosso povo é meio devagar...

Bom, vieram os anúncios dos estádios e quando decidiram por 12 sedes, isso mesmo, 12 sedes !!! citando Lula, nunca, na história da Fifa uma Copa teve tantas sedes, o normal, são 8 sedes, uma por grupo da primeira fase, mas como nossos políticos são eficientes para galgar "investimentos", escolheram 12 sedes, e o pior era ver cidades como Florianópolis serem deixadas de lado para termos jogos em Cuiabá e Manaus e estádios caríssimos construídos a custa do contribuinte pois a iniciativa privada não colocou a mão no bolso, tudo bancado pelo BNDES, que beleeeeeezaaaaa, com exceção do estádio do Internacional-RS, o Beira-Rio. Houve a polêmica na escolha do estádio em São Paulo, a maior parte das pessoas ficou indignada, mas a verdade é que o Morumbi que apresentava um projeto financiado pela iniciativa privada orçado em 80 milhões de dinheiros era apenas uma mão de tinta, mas, aí a Fifa mostrou as exigências e o valor pra reforma pulava para 500 milhões miraculosamente... o que se viu depois foi o nosso governo preferindo construir um novo estádio em sociedade com a Odebrecht do que reformar um estádio que já havia sido pago pelo bolso do contribuinte, isso mesmo tricolores, o Morumbi foi construído pela ditadura, assim como a Vila Belmiro tem dinheiro da prefeitura de Santos e o único estádio da cidade de São Paulo em que o governo não colocou a mão no bolso foi o do Palmeiras.

Veio a escolha do mascote e a Fifa conseguiu criar um personagem totalmente insosso e que não se relacionou com os torcedores, Fuleco, o tatu-bola. A idéia é boa, mas eu usaria mais como a bola da Copa e utilizaria um personagem que pra mim é muito mais marcante, o Pelézinho da turma da Mônica ou então o Menino Maluquinho do Ziraldo, mas enfim, são os gênios publicitários da Fifa, afinal de contas de quantos mascotes de Copa você se lembra ? Vou ser honesto e dizer que não me lembro de absolutamente nenhum, ouso dizer que até em algumas edições não houveram...

Veio o evento teste, a Copa das Confederações e com a competição os protestos. Fiquei muito feliz naquela época, realmente muito feliz, sabia que era tarde demais pra protestos ou para o gigante acordar, mas foi bom enquanto durou e isso foi exatamente até a final da competição que o Brasil venceu a Espanha por 3 a 0. Isso mesmo, uma vez que conquistamos o "importante" título de campeão da Copa das Confederações os protestos silenciaram e o chavão da vez que era - Não vai ter Copa - foi esquecido... típico...

Um ano se passou, muitas polêmicas, estádios entregues as pressas, apenas 20% das obras de infra estruturas foram concluídas a tempo e o dia 12 de junho havia chegado. Era a abertura da Copa do Mundo, e o que os organizadores nos presentearam foi um dos espetáculos mais bizarros e deprimentes que já vi. Foram gastos 22 bilhões de reais e parece que separaram mil conto pra fazer a parada. Parecia festa de criança, aliás, era pior. Das inúmeras sandices que representavam nosso país haviam o que pareciam ser pinhais com vitória régias e uma bola cinza no meio de tudo. Como a Fifa não paga aos dançarinos e bailarinos para se apresentarem o número minguadíssimo de pessoas deixavam o "espetáculo" mais deprimente. Com as fantásticas aberturas de Jogos Olímpicos, apresentações durante o Superbowl a Fifa pega a maior competição do planeta e nos oferece "aquilo". O pior foram as pessoas que defenderam dizendo que as aberturas das Copas de 2006 e 2010 também foram horríveis, para responder tamanha ignorância apelo pra algo que minha mãe me respondia quando eu utilizava o mesmo argumento - se uma pessoa se joga de uma ponte, você vai fazer o mesmo ? - a abertura foi terrível e ponto.

Deprimente
Fora de campo nos transformamos, o Brasil já é conhecido por ter um povo alegre e receptivo, apesar de nossas muitas ignorâncias recebemos os gringos muito melhor do esperávamos e de acordo com pesquisa realizada pela Embratur 92% dos visitantes irão retornar pra nos visitar o que é bem legal. Mas dentro de campo o Brasil deu um vexame digno daqueles caras bêbados de festa que passam por várias fases durante a noite e acabam de forma deprimente sentados no sofá, dormindo, sendo vítimas das brincadeiras de todos...

Como falei acima, foi a Copa das copas dentro de campo, goleadas, vitórias impensáveis, jogaços... tive o prazer de conseguir acompanhar todos os jogos (coitada da Laura) e pude testemunhar o bom futebol e o nível de disputa apresentado. Infelizmente o Brasil ainda estava comemorando os 3 a 0 contra a Espanha e o nosso "futebol" foi uma das coisas mais vergonhosas que já vi.

Começamos contra a Croácia, o nervosismo em uma estréia é uma coisa normal, mas tem que ser superado para se conseguir um bom resultado, o nosso time já sentia a pressão de ser anfitrião no hino á capela cantado pela torcida e os jogadores chorando copiosamente, é legal isso, não me entendam mal, mas tem que haver um controle emocional, esses caras são profissionais antes de tudo... enfim, o jogo começou e a Croácia tinha entrado em campo pra mostrar que não sentiu a pressão e atestou isso ao abrir o placar em contra ataque em gol contra de Marcelo. O Brasil não tinha organização, não criava jogadas, não tocava a bola, todos estavam desesperados pois aquele não era o começo imaginado, em lance isolado após uma roubada de bola no meio campo passam pra Neymar que chuta colocado no canto do goleiro pra empatar no fim do primeiro tempo. Vem o segundo tempo e o Brasil foi pra cima, novamente sofria por que o time da Croácia apesar de não ser tecnicamente um adversário a altura, tinha disposição e aplicação tática, o jogo ia parelho até o momento que Fred se joga ao chão dentro da área e o juiz marca penalti. Triste o que acontece, jogadores crentes levantam as mãos aos céus agradecendo a Deus, torcida comemora e o Brasil por falta de capacidade técnica e tática vira o jogo com a ajuda do juiz. Eu me senti enojado, sinceramente. Pra mim era a vitória do "jeitinho brasileiro" sobre a capacidade e a competência. Ainda veio um terceiro gol tão irregular quanto o anterior, Ramires dá uma voadora em Modric, a bola sobra pra Oscar que ajeita e chuta com habilidade. A tv espertamente passa o replay sem a voadora de Ramires, e o Brasil vence a abertura imerecidamente. O preço seria caro a pagar como veríamos mais tarde.
Fred "pisa na bola"

Depois veio o México, grande jogo, e sem a ajuda do juiz ficou claro que não tínhamos forças pra vencer esse campeonato. Novamente não tínhamos armação de jogadas, toque de bola, estratégias ou tática, era bico pro Neymar ou cruzar a bola na área. Em mesas redondas e redes sociais disfarçamos o resultado glorificando ao grande goleiro adversário, Memo Ochoa, mas a verdade era que enquanto Alemanha goleava Portugal por 4 a 0 e a Holanda goleava os campeões do mundo e bicampeões da Europa a Espanha por 5 a 1, sofríamos para passar por adversários bem menos capazes.

Chega o último jogo da primeira fase contra o saco de pancadas do grupo o time de Camarões. Já era pro nervosismo ter passado, mas a cada execução do hino nacional a choradeira corria solta. A seleção africana que já havia levado 4 contra a Croácia e se o juiz não tivesse influenciado também teria levado 4 do México começa fechada pra tentar não levar outra lapada. Porém, como a seleção canarinho não apresentava nada, nem tocar a bola e faze-la rodar o campo conseguia, tivemos que ver a única jogada do Brasil na copa, bico pro Neymar que ou arranja um escanteio ou se joga no chão e arruma uma falta. Camarões começa a gostar do jogo e numa vacilada na saída de bola Luiz Gustavo rouba e toca pra Neymar abrir o placar. Camarões empata em jogada de linha de fundo e o Brasil tremia de novo após conseguir ser o único time a sofrer um gol da seleção africana. O segundo gol vem ainda no primeiro tempo em bola roubada no meio na saída de bola do adversário, toque pro Neymar que faz belo gol. Vem o segundo tempo e nada de jogo, o que se via era o mesmo de outrora, bico pro Neymar brigar lá na frente. De novo em bola roubada na esquerda a bola é cruzada na área e Fred totalmente impedido amplia meio de barriga, meio de virilha e novamente éramos ajudados pela arbitragem.

Fernandinho compeltou o placar de 4 a 1 em mais uma bola roubada na saída do adversário. Você consegue ver um padrão ? Essa era a grande jogada da seleção. O Brasil não jogava bem, aliás, apesar de muitos "especialistas" dizerem que houveram bons momentos eu digo que em nenhum momento nessa copa jogamos bem.

Mesmo com um futebol deficitário o Brasil se classifica em primeiro e os gols anulados do México contra Camarões fazem efeito uma vez que se validados o México ficaria em primeiro e nós em segundo e já teríamos encarar os carrascos holandeses. Nas oitavas saímos contra a seleção do Chile que apresentava um futebol bonito. Abrimos o placar em lance totalmente involuntário, cobrança de escanteio o goleiro chileno falha e a bola encontra a coxa de David Luiz, um a zero Brasil. Nossa "tática" de roubada de bolas não funciona e o bicão pro Neymar também não uma vez que o Chile toca bem a bola e cria chances de perigo pra nossa defesa. Em mais uma bobeada de Marcelo, apesar de muitos terem culpado o Hulk no lance uma vez que ele recua a bola, é Marcelo quem tira o pé do lance, Alexis Sanchez com habilidade faz justiça e empata o jogo. Daí pra frente o jogo foi isso, o Chile tocava tentando encontrar espaços e o Brasil se defendia como time pequeno. O Mineirão se calou por completo no final da prorrogação quando Pinilla meteu a terceira e última bola na trave chilena. Chegávamos aos penaltis sem merecer. A um tempo atrás eu pensava que penaltis eram competência, treinamento, concentração, até o dia que vi em uma final um cara que jamais havia perdido um penalti na carreira escorregar e cair de bunda no chão... daí em diante entendi por que disputa de penaltis é sorte... e o que aconteceu conosco foi isso... vencemos nos penaltis... vencemos por sorte... jogamos pessimamente e vencemos por sorte... me pego pensando que seria mais bonito e honroso ter perdido ali...

Vem as quartas e o jogo contra a Colômbia que vinha voando na competição, tinha o melhor ataque, o artilheiro James Rodríguez e o líder em assistências Cuadrado. Para enfrentar um time que vinha voando Scolari apelou pra o que sempre fez, mandou o time bater. Esse é um dos motivos pelos quais sempre odiei Felipão, ele é o símbolo maior do anti-futebol. Como 98% de nossa pátria não tem memória ninguém se lembra do jogo mais violento da história das copas em 2006 quando Holanda e Portugal se enfrentaram com 12 cartões amarelos e 4 jogadores expulsos no total. O Brasil jogava de forma parecida e chegou as quartas como o time mais violento da copa que mais tinha tomado cartões amarelos e havia cometido mais faltas e o time que menos dava passes. Alguns como Scolari podem dizer que a falta é um recurso do jogo, eu digo que é uma infração, na verdade é chamado assim pelo livro de regras, infração ao jogo. Tínhamos esquecido nossas raízes em nome da vitória a qualquer custo. Novamente a "tática" do bico pro Neymar lá na frente arrumar uma falta ou escanteio se apresentava, enquanto a Colômbia fazia como o Chile, tocava a bola. Em dez minutos de jogo o Brasil havia cometido 5 faltas no craque James, uma mais violenta que a outra, com a "esperteza" de revezar o jogador que ia lá e batia. Triste. E pensar que antes nós é que sofríamos com isso, parece que tínhamos aprendido o pior do futebol. O Brasil fez um a zero em mais um lance sem querer em cobrança de escanteio a bola encontra a canela de Thiago Silva, o primeiro tempo segue a toada da pancada no adversário e bico pro Neymar.

Vem o segundo tempo e a Colômbia domina o jogo, então vem o lance capital que decidiu a partida. Bola na área e Yepes que estava em posição legal empata o jogo, pra quem ainda quer discutir tem um vídeo bem explicativo - https://www.youtube.com/watch?v=kzU0rGuLa1U.


O juiz espanhol que se absteve de ser justo na distribuição de cartões a nossa seleção permitindo a violência no jogo agora decidia a partida anulando equivocadamente o gol. No lance seguinte, Hulk sofre falta na intermediária e David Luiz cobra com categoria pra fazer um golaço. Como aconteceu na estréia contra a Croácia, fica a pergunta, o resultado seria o mesmo sem a influencia do juiz ? Provavelmente não. Mesmo assim Los Cafeteros foram adversários formidáveis, eles pressionaram e um penalti foi marcado, novamente o juiz falha ao não expulsar Julio Cesar. A Colômbia diminui e nos instantes finais de jogo acontece o que eu pessoalmente chamei de karma. Neymar que passou a copa toda se jogando ao chão sem nem sequer ser tocado recebe uma pancada acidental e se machuca seriamente. O lance foi tão usual e comum que nem falta o juiz que parcialmente favorecia ao Brasil anotou. O jogo acaba de forma melancólica. Pros brasileiros uma vitória gloriosa, pro resto do planeta uma vitória desonrosa. A grande polemica da contusão de Neymar mostra como estamos despreparados pra lidar com esse tipo de situação. Mensagens absurdas pedindo o encerramento da carreira e o banimento do jogador se espalham pelas redes sociais, pior, alguns se superam na arte da ignorância e ameaçam a vida e a família do jogador colombiano. E tudo mais que vem é vergonhoso e expõe o nível de ignorância da maioria de nossa população.

Vem as semis e o karma brasileiro se apresenta de vez, aliás, ele se apresenta sete vezes. Fica claro ao observar os quatro times classificados que a seleção canarinho destoa dos outros competidores, está muito abaixo. A ficha caiu pra mim já no primeiro jogo. Infelizmente, pro resto do país só caiu aí. A Alemanha atropelou o Brasil que não merecia estar nas semis, são cinco gols no primeiro tempo fora o show de bola. No segundo tempo o time alemão claramente tira o pé e ainda assim faz mais dois. Humilhação, vergonha, essas foram algumas frases ditas pelos torcedores. Pra mim uma só me veio a cabeça. Merecimento. Merecíamos apanhar daquele jeito, não jogamos bem em nenhum momento da copa, não apresentamos futebol, ou nada parecido com futebol, não merecíamos ter ficado em primeiro em nosso grupo, não merecíamos ter passado pelo Chile e muito menos pela Colômbia. Felizmente agora a verdade estava exposta na cara de todos pra ser vista. Aliás, sete vezes vista, não merecíamos chegar as semis, não tínhamos futebol pra isso. O que nós merecíamos era aquela humilhação. 7 a 1 pra Alemanha, fora a aula de toque de bola, tática, estratégia e bom futebol.

Felipão e sua corja diziam que houve um apagão. E houve mesmo, mas ele começou quando demos a volta olímpica com a taça da Copa das Confederações em mãos. Veio a decisão de terceiro lugar contra a Holanda que também sofreu seu karma após eliminar o México com um penalti cavado por Robben que vou ser sincero, no momento que aconteceu pareceu penalti e na verdade ninguém ia saber que foi cavado se Robben não confessasse após a partida, arrependidos e envergonhados ele e a seleção holandesa pediram a Fifa que a prorrogação fosse jogada uma vez que o jogo estava um a um. Igualzinho ao Fred e ao Scolari no Brasil após vencer a Croácia e a Colômbia com ajuda da arbitragem, só que não.

Veio a Holanda e tomamos mais 3 e para completar a lição foi com um penalti em que a falta foi cometida fora da área, e com um gol irregular com um jogador impedido. Mais karma que isso impossível. Eu chamo de karma, mas pode chamar do que quiser, tudo que vai volta ou qualquer outra coisa, a verdade é que a justiça se apresentou muito bem e não houve jeitinho que nos ajudasse. Terminávamos a copa das copas, por que em campo ela foi fantástica com alguns dos melhores jogos que vi nos últimos anos da forma mais vergonhosa e deprimente possível, com o time mais faltoso, que mais tomou cartões amarelos e que mais sofreu gols.

Ainda teve gente que ousou tirar sarro dos hermanos que perderam honrosamente a final pra Alemanha num jogaço de bola digno do Maracanã. Eles foram vice, nós o saco de pancadas das semis.

Espero que isso sirva de lição para os pachecos e ufanistas de plantão, espero que as pessoas se recordem disso pelo que foi, justiça, que vencer a qualquer custo tem um preço, um preço amargo, que não é bom pagar.

Isso foi a copa pra mim, uma lição rara de que tudo que vai volta, de que existe sim, justiça no esporte e também na vida... que possamos fazer boas escolhas, e que a glorificação do jeitinho e da malandragem tenha fim e que possamos começar uma nova era não só no futebol mas em nosso país, a era do esforço, da competência, da humildade, do planejamento e do merecimento... e de que a justiça tarda, mas não falha.

domingo, 4 de maio de 2014

20 Anos

20 anos...
 



Apesar de muitos blogs, sites e jornalistas preferirem não apresentar homenagens nem eferemidades em seus textos o que eu penso ser uma baboseira sem tamanho apenas para alimentar um orgulho pessoal ridículo, meu texto será pessoal e efemero...

Aquele era meu primeiro real contato com o único destino inevitável, único mal irremediável... a morte...

Sim, eu já tinha perdido parentes próximos, meu avô materno faleceu quando eu tinha apenas meses e meu avô paterno faleceu quando eu tinha apenas 2 anos, na verdade, eu até tenho lembranças dele como se fossem um sonho distante, daqueles que você só lembra de detalhes, como eu no colo dele aprendendo a contar até 5 em alemão... ou em uma vez em que estava no banco de trás de um carro e ele dirigindo e minha avó ao lado dele olhando para mim me ensinando a falar a palavra grosse vassen que não faço idéia do que significa, mas que ficou para sempre comigo... como era recém chegado nesse mundo minhas lembranças e contatos não estão claros na minha memória...

Enfim, meu pai era fã de automobilismo. Não era um apaixonado, mas ele acordava mais cedo pra assistir as corridas, não isso não acontecia na época que toooodoooo Brasil seguia a Senna, não, meu pai na verdade era fã de Piquet e assistia a F1 desde que a Globo começou a transmitir as corridas no início dos anos 80. A primeira corrida que "assisti" - coloco assim entre aspas por que não dá pra esperar que uma criança fique por duas horas sentado na frente da tv - foi alguma corrida de 86, me lembro nitidamente da primeira vez que vi aquele carro preto e dourado com o capacete amarelo reluzindo e me lembro que por mais que não tivesse a noção da habilidade dele, havia decidido que iria torcer pra ele por que o carro era mais bonito... algo ridículo assim... a verdade é que Senna já havia feito miséria com a tradicional Lotus... comecei a me interessar por F1 e numa época em que a informação vinha em formato de revistas...a Grid mais precisamente e a Quatro Rodas... sim... revistas século 21... eu abria isso ao invés de abrir o wikipedia ou o google...



Em 87 fiz meu pai comprar um guia da temporada de F1, que me ensinou que aquele Lotus que antes era preto e dourado naquele ano tinha se tornado amarelo (eu achava incrível) era uma equipe criada por um projetista lendário chamado Colin Chapman e que já tinha tido outros grandes pilotos entre eles Graham Hill, Jim Clark, Emerson Fittipaldi e Mario Andretti. Associo aquele ano a um fato pessoal, os aniversários de meu irmão e meu sempre foram separados exatamente por duas semanas, me lembro que meu pai perguntou se queríamos ganhar um autorama juntos, ou uma bicicleta pra cada um.... claaaaaro que a gente escolheu o autorama que vinha com a Lotus amarela do Senna e com uma Ferrari estranha que depois soube era do Gilles Villeneuve. 



Veio 88 e a McLaren e o primeiro título de uma temporada que eu acompanhei inteira, não entendi direito o sistema de pontuação por que tinha descartes e tal, mas me lembro das corridas da Inglaterra e da França com os mais incríveis pegas entre Senna e Prost e o GP da Itália com a vitória inacreditável de Berger com a Ferrari. Se em 88 a McLaren tinha fabricado o carro perfeito vencendo 15 das 16 corridas o ano seguinte não seria tão fácil



Em 89 eu já entendia melhor as coisas e me lembro que a Ferrari já fazia frente a McLaren. O cambio semi automático desenvolvido por Roberto Pupo Moreno já fazia diferença e Mansell havia vencido a primeira corrida do ano no Brasil. Apesar disso a McLaren ainda tinha um carro mais equilibrado e Senna e Prost criaram entre eles um "acordo" de cavalheiros, nada parecido com o que existe hoje na F1, era algo como, o cara que fizesse a primeira curva na frente seguia para liderança sem disputas entre eles até que os dois tivessem criado um espaço tranquilo para os outros competidores e a partir daí a disputa estava aberta entre os dois. O palco do nascimento das intrigas e rivalidade foi por uma enorme ironia Ímola. A corrida teve início e Senna pulou na ponta na primeira largada e disparou deixando Prost a merce de Mansell. Na quinta volta a outro piloto da Ferrari, Berger, sofreu um acidente seríssimo, na mesma Tamburello, com o carro em chamas, o acidente lembrava muito o de Niki Lauda. A corrida foi paralisada e os carros alinhados nas posições que estavam naquele momento da corrida. A relargada foi dada e Prost se saiu melhor que Senna fazendo a Tamburello a frente, so que na cabeça de Senna ele tinha prioridade, pois aquela era uma relargada, ja Prost achava que como era uma segunda largada ele tinha prioridade, o brasileiro foi implácavel atrás do francês e o ultrapassou na tosa, só que para Alain o brasileiro havia trapaceado uma vez que ele havia feito a curva na frente. Quem tinha razão ? Quem estava errado ? Prost se sentiu ainda mais traído pela McLaren, que havia apoiado a Ayrton. O francês se apegou ao presidente da FISA Jean Marie Balestre, chefão da F1 na época que era completamente intolerante com Senna, dizem as más línguas que o cara perdia até o apetite e não conseguia nem pronunciar o nome do nosso piloto sem um palavrão junto. O ano foi duro, muitas disputas, mas veio Suzuka em 89 e o maior papelão de Prost em sua história como piloto, aquela fatídica batida. Senna já tinha mais de meio carro por dentro na curva, Alain fechou a curva jogando o carro pra cima do brasileiro com a intenção de tirar a ambos da corrida o que garantiria o título mundial para o francês. Bateram e seguiram em frente na chicane. Com os motores dos carros apagados, o francês saiu com certa satisfação, Senna indignado gesticulava sem parar, pediu para os auxiliares da prova para o empurrarem e num lance mágico que só ele poderia produzir o motor de seu carro reacendeu, após perder quase uma volta, Ayrton desviava das barreiras de pneus e voltava para pista para dar uma volta inteira sem bico e seguir na prova com os braços da suspensão danificados, na última volta ele faz exatamente a mesma manobra sobre Nannini, e ultrapassa o italiano para vencer a corrida. O resultado final todos sabem, ele foi desclassificado injustamente pelos comissários da FISA. Só pra constar, de acordo com as regras da FISA o piloto tinha que ser desclassificado por manobras irregulares na pista enquanto a corrida ainda acontece. Balestre tomou a decisão que favorecia claramente Prost e o francês foi "campeão" daquela temporada. Aquilo quase fez nosso campeão desistir da F1, ele sonhava com a F1 pelas disputas e não pela politicagem.




Em 1990 era outra temporada, Berger e Senna na McLaren, Prost e Mansell na Ferrari, a temporada acirrada colocou novamente os dois rivais frente a frente e no final das contas Senna foi e deu o troco. Ele não estava orgulhoso com aquilo, mas tinha que mostrar a Prost e a Balestre que o que aconteceu em 89 era absurdo e não podia passar impune. Prost novamente correu pra sala dos comissários, mas desta vez o poderoso chefão estava de mãos atadas. Senna se sagrava bicampeão. 



Em 91 viria o tri e a disputa fantástica com os carros de outro planeta, as Williams/Renault projetadas por Patrick Head e Adrian Newey, o gênio por trás dos carros da McLaren/Mercedes e da Red Bull. 

Depois disso veio o domínio da Williams/Renault com seus carros absolutamente fantásticos, as melhores lembranças que tenho dessa época eram do GP de Monaco de 92 em que Senna vencia um alucinado Mansell que não conseguia ultrapassa-lo. Um lance de genialidade que me lembro era de Senna saindo do túnel com Mansell absolutamente colado em sua traseira, quem acompanha F1 sabe que a chicane seguinte é o melhor ponto de ultrapassagem da pista. Mansell vem e coloca o carro de lado, Senna permite que sua McLaren deslize como um kart meio de lado fechando assim qualquer espaço para que o leão faça a curva e segue a corrida a frente para a vitória. Inacreditável.



Em 93 então foram muitas corridas fantásticas com Senna em uma McLaren feitas as pressas com motor menos potente que da Benetton e mesmo assim o brasileiro fez as Williams, Ferraris e o alemãozinho comerem poeira. A primeira volta do GP de Donington Park conhecida como a volta mais perfeita da história da categoria. Essa semana assisti o VT e parece literalmente que todos estão em câmera lenta enquanto aquela McLaren voa por sobre a água, Senna venceu a corrida com uma volta sobre todos os pilotos na pista, apenas o segundo colocado estava na mesma volta e isso por que a McLaren errou em seu pit stop. O que poucas pessoas lembram e vou confessar que eu também não me lembrava é que um jovem piloto de 20 e poucos chamado Rubens Barrichello também havia dado um show na chuva e saída 12a. posição para a quarta posição na primeira volta. Aliás, só não houve dobradinha brasileira por que o péssimo motor Hart de Rubinho não aguentou. O ano de 93 marcou uma fase de maturidade de Senna, em que até mesmo houve um perdão mútuo entre ele Prost por que no final das contas Ayrton percebeu que antes de tudo ele era fã de Alain.




Todos sabiam que 94 Senna iria para a Williams, eu particularmente era apaixonado pela Ferrari(antes de Schumacher) e queria muito que ele fosse pra lá, mas estava feliz com ele na Williams. Lembro que comprei todos os gibis do Seninha e ele já tinha o carro azul e branco. Meu pai deu pra mim e pra meu irmão uma Williams e uma Ferrari de ferro, aquelas miniaturas perfeitas sabe, o detalhe é que eram do Hill e do Alesi por que as do Senna e do Berger estavam esgotadas. A FIA que havia trocado de presidente, o maluco Max Mosley havia assumido, vendo que o conjunto Senna-Williams ia ser imbatível proibiu todos os apetrechos eletrônicos dos carros de F1 da época. A Williams foi a principal afetada, o carro deles havia sido projetado para ter esses dispositivos, havia uma dependência disso ao contrário das demais equipes. O que aconteceu a seguir foi o obvio, o FW16 era inguiável, apelidado por Senna carinhosamente de cadeira elétrica. Ayrton sabia que isso era politicagem, os chefes de equipe Frank Williams e Patrick Head também, mas os tres nunca cederam a isso, sempre preferiram se superar do que chorar. A primeira corrida no Brasil, Senna foi pole e liderou até fazer o primeiro pit stop, aí Schumacher ultrapassou a Senna e seguiu para vitória enquanto o brasileiro rodou na perseguição ao alemão no final da corrida, aquilo tinha ocorrido por que não existia mais o controle de tração. Em Aida no Japão, numa pista que parecia de kart, Senna novamente faria a pole como sempre, na corrida foi abalroado por Larini que havia sido empurrado por Hakkinen pra fora da pista. Em Ímola todos lembram... aquele primeiro de maio de 1994 eu me lembro muito bem... na verdade aquele dia foi inesquecível, me lembro de quase tudo... meus tios Nando e Rita tinham ido passar o fim de semana conosco em São José dos Campos, já fazia mais ou menos um ano que meu pai tinha saído de casa e nossa família tentava se recuperar dos furacões que viraram nossas vidas de cabeça pra baixo em 93... me lembro da esperança de ver Senna vencer com a Williams já que no Brasil e no Japão não tinha dado certo... me lembro que o Dener tinha morrido recentemente... Estava na sexta série que eu tinha sido reprovado em 93 e gostava muito mais dos meus professores e sala de aula de 94... lembro dos Mamonas Assassinas... estávamos vendo a corrida e me lembro que quando o acidente ocorreu a primeira coisa que eu disse foi...

- Foram somente 6 voltas, acho que se eles paralisarem a corrida ainda dá pra ele pegar o carro reserva...

Sim, foram exatamente essas as minhas palavras, por que Senna fez isso comigo, me deixou mal acostumado pelo fato de ele sempre conseguir superar as dificuldades de uma forma ou de outra... 

20 anos de saudades do meu primeiro herói... eu já lia Batman e Superman... mas Senna era real... era de verdade... de carne e osso...

Me lembro que era um mix de sentimentos... não sabia se chorava, se gritava, não sabia o que fazer... é curioso pensar que choro mais hoje quando vejo uma homenagem a ele do que na época...

Depois disso muita gente deixou de seguir a F1... eu não... eu sou apaixonado por esse esporte... 

As vezes fico imaginando o que teria acontecido se ele se levantasse do carro apos a batida e fosse pros boxes... bem a revista sport uk fez esse exercício de imaginação.


 
Senna venceria o título de 94, mesmo com 30 pontos de vantagem de Schumacher leva-se em conta que Hill que sempre foi um piloto regular pra ruim disputou o título até a última prova, Ayrton com certeza teria melhores resultados que o inglês e iria se impor sobre o alemão. Em 95 graças a famosa manobra de bastidores de Briatore burlando as regras da FIA a Benetton era Renault e foi o carro mais forte, Schumacher conquistaria seu primeiro título porém iria suar muuuuito mais para conseguir tal feito com Senna em seu encalço. 96 a Williams e Hill dominaram o mundial, Senna e Hill fariam como a McLaren de 88 dominando completamente o mundial com Senna sendo penta campeão. Na minha opinião ele pararia ali, penta campeão e com um monte de recordes de poles e vitórias, mas para a revista ele iria em frente vencendo em 97 pela Williams seu sexto título e superando Fangio, e em 98 iria para a Ferrari para pilotar ao lado de Schumacher e ajudar a desenvolver o carro da equipe ao mesmo tempo que alcançaria seu sonho de pilotar um carro da equipe italiana. Ficaria atrás da McLaren/Mercedes de Hakkinen que seria campeão, porém faria uma boa temporada a la Piquet na Benetton em 90. E em 99 Senna venceria seu sétimo e último título de F1 pois lideraria a equipe já que Irvine que nunca foi nada conseguiu ser vice.



Em 2000 dizem que estrearia uma filial da Ferrari na Formula Indy ao mesmo tempo que se tornaria piloto oficial da Audi no mundial de endurance...

Infelizmente nada disso aconteceu... o que vimos foi o podio com Hakkinen e Larini completamente consternados ante a fatalidade ocorrida enquanto Schumacher comemorava alegremente sua vitória ao final do GP de Ímola de 94...




Senna foi o maior piloto de todos os tempos, na discussão para compara-lo com Schumacher, Ayrton vence de longe o alemão apesar dos números inflados.

Senna não trapaceava para vencer, Schumacher fez isso por toda sua carreira, para o alemão o importante eram os fins e não os meios, para Senna o processo todo era importante. Ele jamais pediu por contrato que seus companheiros fossem obrigados a perder pra ele, jamais trapaceou com as regras da FIA, não apoiava/pilotava carros irregulares e na única vez que bateu propositalmente não sentiu o mesmo prazer pela vitória...

Enquanto Senna ajudou a construir a F1 junto com outros grandes pilotos, Schumacher ajudou a destruí-la, com suas armações e ordens de equipe ano a ano Michael foi destruindo a credibilidade do esporte... esporte sem credibilidade é um esporte morto... o curioso é que mesmo com os inflados números e recordes do alemão de nada valeram, nenhum especialista ou fã o coloca entre seus 5 melhores de todos os tempos... 

Felizmente a F1 vive uma época nova, de pilotos que vêem Senna como exemplo a ser seguido e Schumacher um exemplo a ser esquecido... da nova geração, quase todos são fãs confessos de Senna... Hamilton, Pérez, Vettel, Webber, Button... os únicos fãs de Schumacher na atual geração são Massa e Alonso... isso sem contar os da geração anterior que eram fãs de Ayrton o próprio Hill, Coulthard, Hakkinen, Irvine, Montoya, Fisichella... de outras categorias como Paul Tracy, Gil de Ferran, Cristiano da Matta, Greg Moore, Michael Andretti...

Apesar da morte de Ayrton minha paixão por corridas permaneceu e uma das melhores lembrançass são de uma oportunidade em que meu tio Billy "raptou" eu e meu irmão como ele gostava de fazer e nos levou a uma pista de kart indoor feita em um estacionamento de shopping perto de nossa casa em São José dos Campos. Me lembro nitidamente de que quando ouvi o ronco do kart pela primeira vez já de capacete sentado no carro eu chorei copiosamente... me lembrei de meu amigo que havia morrido havia pouco... chorei da mesma forma quando assisti ao filme pela primeira vez... estranho isso... se sentir tão próximo de uma pessoa que jamais conheci pessoalmente...

E numa vã tentativa de entender coisas feitas pelo coração... busquei definir o que ele era pra mim... e percebi que era como um amigo de infancia... daqueles que voce se diverteve brinca por horas e dias e sonha... mas que acaba ficando no passado por que a maturidade te chama, os anos passam e cada um segue para seu caminho... mas ao mesmo tempo quando fuça nas suas memorias te emociona e mata de saudades... esse era Ayrton Senna pra mim...

20 anos de saudades velho amigo, vida longa ao mitologico Ayrton Senna

Wish you were here

terça-feira, 15 de abril de 2014

REALLY ???





Essa foi minha reação ao ver esse viral no Facebook outro dia...

Minha incredulidade superou em muito qualquer sentimento de revolta quando li esse post que coloca no mesmo patamar Valesca Bigbutt e David Bowie... não digo como seres humanos, por que os dois são iguais, mas como artistas...

Really ??? Really ??? Really ???

Meu primeiro instinto era descascar o autor de tal absurdo... explicando que o funk na verdade não é funk, tá mais pra hiphop com batida latina da pior qualidade... que o funk de verdade deriva do rhythm & blues americano e tem como nomes mais conhecidos James Brown, Kool and the Gang, Earth Wind & Fire e ressaltar que o "funk" carioca em nada se parece com o real funk...

Também falar o desnecessário de que o camaleão musical David Bowie foi tão genial que criou uma identidade totalmente fictícia no alienígena Ziggy Stardust apenas por que sua criatividade o impulsionou, mudando e marcando para sempre o cenário estético da música com seu estilo glam e a mensagem de que a terra acabaria por falta de recursos, algo impensável nos anos 70... ele falava de sexo nas letras por que o personagem egocentrista e caricato era também um dos símbolos do lema sexo, drogas e rock and roll...

Podia também apelar para a simples distinção de escolas musicais, enquanto a Valesca Giantass com sua voz esganiçada e terrivelmente desafinada (isso após ser tratada em estúdio com pro tools !) provavelmente não saberia o que fazer ao sentar em um piano ou com um violão em mãos, já Bowie é um compositor brilhante, multi-instrumentista e a voz expressiva é uma de suas marcas registradas...



Deixando de lado os personagens principais, eu poderia falar por exemplo da brincadeira feita com o preconceito dos anos passados e pra isso digo que vivíamos em uma sociedade mais fechada, complexa e tão hipócrita quanto a atual... na qual não havia a liberdade de expressão e opinião que desfrutamos hoje, e não falo só do Brasil-sil-sil não, falo ao redor do globo, a Gringoland por exemplo ainda desfrutava da luta por direitos civis iguais entre negros e brancos, consegue imaginar isso a menos de meio século atrás ?

Discursaria sobre o fato de que até mesmo músicos eruditos usaram da sexualidade humana, Mozart com seu Don Giovanni assim como muitos escritores do passado, demonstrando que esse comportamento é inerente a todos independente de credo, cor ou época umas vez que somos humanos...

E nem vou falar do autor que apelou para a famosa desculpa do pré-conceito contra o funk, posso dizer com todas as letras que o fato de eu não suportar ouvir isso (não tenho outra definição, honestamente o ruído da cadeira de dentista me parece mais afável) não é um pré-conceito e sim um pós-conceito, ou seja... ouvi, não gostei...

Mas o que mais surpreendeu foi como alguém conseguiu conceber uma ideia tão sem noção de comparar essa garota não só ao David Bowie, mas ao rock... eu gostaria de conseguir imaginar o que pra mim é inconcebível... assim... passei horas e horas buscando uma comparação tão esdrúxula quanto esse quadrinho e não consegui... sério... e olha que quem me conhece sabe que quando eu quero eu viajo longe, mas dessa vez não consegui... de verdade... de coração digo isso, foi impossível pra mim completar tal tarefa por mais criativo que eu seja... terminando dessa forma frustrado por não conseguir me igualar ao ousado autor de tão brilhante comparação...

Mas esse sentimento não perdurou por muito tempo... acabei encontrando conforto na letra do inigualável Neil Young...

Hey, hey, my, my, rock n' roll will never die... portanto me perdoem os fãs de "funk" carioca, pagodes comreciais, sertanejos universitários e afins... mas a verdade é que uma vez que a moda passa, vocês desaparecem assim como a turma do axé, da lambada, do molejão... como a palha que quando levada ao fogo faz alta a chama mas queima rápido e já não existe... já o rock... o bom e velho rock... bem... citando novamente Neil Young...



My, my, hey, hey, rock n' roll is here to stay...



Até a p-p-p-p-p-pppróxima p-p-p-p-p-pessoal

See you when i see you...

You stay classy planet earth...

Kirk out